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28 abril 2011

azeitão: verde, mas à torreira do sol


São mais de vinte e um mil m2 de terreno que, para o transformar em parque, envolveu até há poucos meses um regimento militar de engenharia com maquinaria pesada para terraplanar e ajudar na colocação de imensas oliveiras centenárias por certo. Estreou, como convinha, a 25 deste mês e ninguém terá dúvidas que se tornará um lugar aprazível, mas isto quando as árvores crescerem e se esperarmos pelas oliveiras, bem podemos ficar sentados à sombra de outras. A avaliar pela planta do projecto, apenas haverá 1 árvore de grande porte e folhagem larga -do tipo plátano- que dá pelo nome de Liquidambar (styraciflua) que na terra natal - os EUA- existem em larga escala e é sobretudo no Outono que adquire o expoente com quase três cores em simultâneo e é por isso lindíssima. Mas, pelos vistos, será apenas uma única. Não entendo. Mas não sou especialista na área; o máximo que vou é plantar salsa e mesmo essa nem sempre nasce.
Portanto, temos para já, um largo terreno, ainda por relvar, à torreira do sol. Também me quer parecer que se terão esquecido de considerar estacionamento, ou talvez ainda não esteja iniciado sequer, não sei. Sei que a curta via de acesso, até dia 24 sempre desimpedida, tem agora um 'passa-à-vez' sem sentido, literalmente.
Temos também um café-esplanada. Simpático e ainda atrapalhado na serventia, mas isso passa, espera-se. Na esplanada não existem cinzeiros nas mesas, o que é uma coisinha que sempre me aborrece, porque a 'calçada portuguesa' já estava pejada de 'beatas'. Aguarda-se portanto que a hotelaria repare nisso e já agora encomende à patrocinadora Sagres mais chapéus de sol, já que esses não será necessário esperar que cresçam. Esses até eu sei 'plantar'.

24 agosto 2010

setúbal: cinza e azul


Setúbal podia ser uma das cidades mais bonitas de uma única mão-cheia de outras tantas deste país. Não é. E dificilmente virá a ser, mas por vezes, tem pontos de algum encanto: o porto é um desses locais e não muito distante dali, Albarquel também. E a Comenda.

03 junho 2010

este mesmo feriado há 71 anos


em Setúbal, avenida Luísa Todi, a procissão do Corpo de Deus- 1939.

Créditos: imagem Américo Ribeiro

milha XXIV: roma em cetóbriga


A calçada romana do Viso, que se acede a partir da EN10, a pouco menos de 2Km de Setúbal, entrando pela aldeia do Grelhal, teve -tanto quanto sei- a última intervenção de manutenção há cerca de doze anos, através do Parque Natural da Arrábida -pasme-se!- e outras entidades.
Não é muita extensa a parte ainda perfeitamente visível e caminhável: são cerca de 300m. mas mantem a 'jovialidade' da construção de há dois mil anos atrás.
Com infinitamente menos tempo cronológico, são os placards de informação sobre esta importante via que fazia parte de uma extensa rede viária romana na península. O estado actual é o que a imagem em cima mostra. Obviamente não é nem o tempo, nem a meteorologia adversa que provoca os quadros de informação partidos ou pura e simplesmente desaparecidos. É a insondável capacidade idiota do portuga para a destruição. Por outro lado, como isto é recorrente, 'deixa-se estar', não só ali, mas igualmente no Creiro e na sua estação arqueológica de salga de peixe.
A bem dizer, há muito onde se podia ocupar pessoas desocupadas, mas não gratuitamente, porque a 'desocupação', também conhecido como desemprego, tem a sua dignidade nas pessoas que involuntariamente estão nessa situação. Não é propriamente seguir o modelo de alguns.
Sobre a calçada, diz-se então:
[...]"De facto, este troço fazia parte da via Romana que ligava Olissipo (Lisboa) a Cetóbriga (Setúbal) e daí seguia para Salácia (Alcácer do Sal), Ébora (Évora) rumando à muito importante Emérita Augusta (Mérida, em Espanha), partindo do importante Porto Fluvial de Equabona (Coina) " [...]

27 maio 2010

memória: cinema sob céu estrelado


Do tempo em que existia por cá o 'walk-in' e não tanto o 'drive-in'. Eu gostava destas sessões cinematográficas ao ar livre e ainda gosto. O problema é encontrar estas 'esplanadas da 7ª arte'.
Na imagem, a 'Esplanada Cine-Variedades' em Setúbal fotografada em 1953 por Américo Ribeiro.

21 maio 2010

em maquete tudo fica bonitinho



É triste que uma cidade com uma localização tão excepcional não consiga tornar-se um local de referência, cosmopolita, limpa e sem veleidades de crescimento idiota.
Sobre Setúbal, por volta de 1890, escrevia Fialho de Almeida em 'Os Gatos':
"[...] De sorte que o forasteiro sincero, depois que passeado na cidade, se vai desinfectar do seu mau cheiro aos campos, ao surpreender o contraste da obra de Deus com a dos homens, a primeira oração que faz é pedir aos céus o terremoto, agora que o Marquês de Pombal já cá não volta, com um indulto para o convento de Jesus, para os Castelos de S. Filipe da Serra e S. Tiago d'Outão, para os portais da igreja do Sapal, e algumas miudezas mais de que este exíguo roteiro não dá conselho."

10 maio 2010

1908: pelos caminhos da arrábida


Foi em Junho desse ano que Luis da Camara Reys documentou para a 'Illustração Portugueza' as estradas e caminhos que calcorreou de Setúbal até à Arrábida. A distância é curta pelos padrões actuais, mas na época, era coisa para demorar mais algum tempo. Pela prosa, deduz-se que hoje a serra talvez esteja até um pouco mais composta e cuidada do que estaria naquela altura; em termos de património não me surpreende, mas em termos de arborização, sim. De notar, que, antes como agora, as empreitadas de estradas já serviam para fazer fortunas.
Para ler, a partir daqui.

12 outubro 2009

mar de Outono II


Onde se nada com cardumes de alcorrazes e verdinhos. A foto da direita não é grande coisa, mas são os juvenis que por ali andam aos magotes.

16 setembro 2009

desleixo estacionado


Semanas, meses a fio assim e "afim". Mas não deixa de cobrar.
É um parque de estacionamento setubalense em zona de intervenção 'Polis'.

06 setembro 2009

Embarque


Não é só nas estradas que a típica falta de informação acontece. Isto aqui é a porta de embarque de passageiros para o ferry entre Setúbal e Tróia. Deduz-se que seja ali o embarque, já que absolutamente nada o indica no exterior. Mas o que não falta é a clássica plaquinha a assinalar a ocasião da inauguração em '93, por uma 'Sua Exa.' da altura.
Lá dentro, duas bilheteiras vazias, mas cheias de fotocópias ranhosas coladas na vidraça com informação amontoada.
É a era da comunicação.

22 agosto 2009

Arrábida: deplorável inércia

"[...]A serra da Arrábida, de constituição calcária –integrada nos 10.800 hectares do Parque Natural da Arrábida, criado por decreto-lei de 28 de Julho de 1976 – atinge, no ponto mais alto, 500 metros. O valor científico e, apesar das agressões de que tem sido vítima, o estado de conservação da vegetação da serra – apontada como um dos elementos mais importantes do Parque Natural – levaram, em 1988, à inclusão da Arrábida na Rede Europeia de Reservas Biogenéticas, programa do Conselho da Europa, que visa a protec- ção dos elementos mais representativos da flora, fauna e zonas na- turais europeias (...) No que toca à fauna – mesmo que tenham desaparecido lobos, javalis e veados – a Arrábida ainda vai tendo texugos, doninhas, gatos bravos e raposas, tal como a águia de Bonelli, o bufo real, o peneireiro e a coruja das torres.[...]"

A citação vem de um documento da CMSetúbal. Sendo certo o desaparecimento de algumas espécies -como as três referenciadas no texto- e para além daquelas que ainda por aqui sobrevivem, há uma outra que não está em vias de extinção, antes, vai reforçando presença sem o mínimo de educação geração após geração: trata-se da lusa imbecilidade.
A estrada de acesso à praia do Creiro tem tanto de belo como de nojento. De belo, porque a obra é da Natureza, de nojento porque essa parte é de quem contribui para que o rótulo se aplique.
Precisaria de um slide show para mostrar cantos e recantos de imundície, da estrada até à água. Por isso fico-me apenas com estas aqui em cima que ilustram o resto do caminho. Se o placard no início da rampa de acesso à praia anuncia 'a época de fogos' e demais informação já sem grande conjugação, lá em baixo existe outro, pomposo, com o graveto gasto no aparente melhoramento do local, incluindo a estação arqueológica. A 'Fonte da Paciência' só tem nome: paciência. Que me recorde, deixou de ter água vai para cinco anos; o contador é disso ilustração viva. O mato tomou conta da 'fonte', dos bancos de madeira e, em breve, de toda a escadaria. Para lá das cercas de madeira, está mato alto e lixo (de fraldas, a garrafas de plástico, vidro, maços de tabaco amarrotados e sacos, saquinhos e sacões de plástico), para cá das cercas, o cenário não muda, porque conduz directamente ao primeiro dos 2 restaurantes da praia: 'Anicha' e 'Golfinho' respectivamente. Qualquer canteiro do primeiro restaurante só tem disso o nome, porque na prática, poder-se-á considerar um alongado caixote de lixo e essencialmente mega-cinzeiro. O restaurante/bar/esplanada abre todos os dias, será que absolutamente ninguém daquele estabelecimento notará o amontoado de trampa (para ser simpático) mesmo debaixo dos narizes? Notarão seguramente, mas pensarão: 'isto não é comigo. Alguém que limpe'. E este é o mote para o resto: rampa acima, rampa abaixo. Muitos, infelizmente e a avaliar pelo grau a que se chegou, deverão por certo 'pensar' da mesma imbecil maneira. O homem é também um animalzinho de hábitos, de maus hábitos em variados casos, este incluído.
Para além de quem tem o hábito de amandar a garrafinha de água, cervejola ou qualquer outro lixo para onde calha, parece-me haver aqui também duas entidades públicas (se mais houver, cheguem-se à frente) responsáveis por a) manutenção ; b) vigilância. Se as coimas existem, não devem ter tido estreia. Se é a CMSetúbal se o Parque Natural da Arrábida/ICN quem deve dar o exemplo maior, nem quero nem saber. Entendam-se porque seguramente ambas não estarão isentas de quota parte neste processo, mas não estranhem se ouvirem comentar 'ah! se isto estivesse nas mãos dos espanhóis...'. É a dura realidade. Não se passaria assim, como de resto se constata seja em Cádiz ou nos Picos de Europa.