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01 agosto 2011

1º de agosto, 1º de inverno


neste aspecto, este ano, a tradição ainda é o que é.

17 setembro 2010

júri: votamos na maravilha


Este é o actual acesso da maravilha votada nas classe de 'falésias e praias'. O acesso seria entre o Portinho da Arrábida e o Creiro.
Não sei que viaturas de emergência possam passar por ali, a menos que sejam anfíbias. Faltou filmar esta parte, junto com as pedreiras na serra, para animar a votação das tais 7 maravilhas naturais deste luso quintal.
Está certo: temos falésia.

10 setembro 2010

sesimbra


Bem vistas as coisas, não é afinal difícil manter uma praia em condições. Sesimbra é o exemplo vivo, pelo menos em Setembro. Muito provavelmente nos outros meses também, mas como não sou 'cliente habitual' do areal e falta-me a vocação para maratonista (nos outros meses de Verão é condição essencial) apenas posso falar pelo mês em curso, mas é simpático ver, por comparação com a Arrábida/Creiro, que ali alguém se preocupa de facto, incluindo quem explora os restaurantes/bares de praia e respectiva zona concessionada.

10 agosto 2010

arrábida de luto


Não é à toa. É um facto

03 junho 2010

este mesmo feriado há 71 anos


em Setúbal, avenida Luísa Todi, a procissão do Corpo de Deus- 1939.

Créditos: imagem Américo Ribeiro

milha XXIV: roma em cetóbriga


A calçada romana do Viso, que se acede a partir da EN10, a pouco menos de 2Km de Setúbal, entrando pela aldeia do Grelhal, teve -tanto quanto sei- a última intervenção de manutenção há cerca de doze anos, através do Parque Natural da Arrábida -pasme-se!- e outras entidades.
Não é muita extensa a parte ainda perfeitamente visível e caminhável: são cerca de 300m. mas mantem a 'jovialidade' da construção de há dois mil anos atrás.
Com infinitamente menos tempo cronológico, são os placards de informação sobre esta importante via que fazia parte de uma extensa rede viária romana na península. O estado actual é o que a imagem em cima mostra. Obviamente não é nem o tempo, nem a meteorologia adversa que provoca os quadros de informação partidos ou pura e simplesmente desaparecidos. É a insondável capacidade idiota do portuga para a destruição. Por outro lado, como isto é recorrente, 'deixa-se estar', não só ali, mas igualmente no Creiro e na sua estação arqueológica de salga de peixe.
A bem dizer, há muito onde se podia ocupar pessoas desocupadas, mas não gratuitamente, porque a 'desocupação', também conhecido como desemprego, tem a sua dignidade nas pessoas que involuntariamente estão nessa situação. Não é propriamente seguir o modelo de alguns.
Sobre a calçada, diz-se então:
[...]"De facto, este troço fazia parte da via Romana que ligava Olissipo (Lisboa) a Cetóbriga (Setúbal) e daí seguia para Salácia (Alcácer do Sal), Ébora (Évora) rumando à muito importante Emérita Augusta (Mérida, em Espanha), partindo do importante Porto Fluvial de Equabona (Coina) " [...]

27 maio 2010

memória: cinema sob céu estrelado


Do tempo em que existia por cá o 'walk-in' e não tanto o 'drive-in'. Eu gostava destas sessões cinematográficas ao ar livre e ainda gosto. O problema é encontrar estas 'esplanadas da 7ª arte'.
Na imagem, a 'Esplanada Cine-Variedades' em Setúbal fotografada em 1953 por Américo Ribeiro.

15 fevereiro 2010

invernia boa


Para mim, Inverno, é isto mesmo: chuva, vento & frio. Detesto aquela humidade 'tipo-Filipinas' onde tudo e todos escorregam com uma chuvinha 'molha-tolos' e uma temperatura pegajosa a roçar os vinte graus, como aqui há umas semanas atrás.
E hoje, cumpre os requisitos. Se bem que custe a acreditar e o efeito wind chill possa ter aqui o seu dedinho, o certo é que, onde esta imagem foi tirada, é a mesma estrada que daqui a quatro ou cinco meses, regista com facilidade as temperaturas de estio superiores a quarenta graus: Casais da Serra- Creiro, na serra da Arrábida. Hoje fica-se ao final da tarde por -1ºC ao som de 'Bunny' de Gerry Mulligan /Johnny Hodges.

31 janeiro 2010

debaixo dos pés

O mundo encantado da Gruta do Frade. Aqui ao lado, na Arrábida.
Visto aqui. A ver igualmente uma outra -caso não exista vertigens- no cabo Espichel.

28 outubro 2009

rural


"a minha única experiência com a 'agricultura' foi plantar umas alfaces num canteiro de varanda. Nasceram umas 'ervas' que tirei, mas afinal eram as alfaces"- dizia-me ela, divertida, na sequência de conversa breve derivada precisamente para o tema agrícola. Pois, a minha relação com 'plantações' fica-se praticamente pelo mesmo cenário, com a diferença que o manjericão está ali robusto e em rápido crescimento.
A imagem lá de cima é um troço do Azeitão rural bem próximo aqui de casa, que pergunto a mim mesmo quanto tempo ainda resistirá até que alguém do cimento pense que o melhor será arrancar estas 'ervas daninhas'.

22 outubro 2009

há lá coisa melhor?


Do que regressar a casa através dos vinhedos que já estão pincelados de vermelho e amarelo? Cheira a terra molhada e a queimadas de fim de época. Cheira a Outono, finalmente.

17 outubro 2009

la plage c'est fini


Hervé Vilard anunciava que 'Capri c'est fini', pois em verdade vos digo que a praia também. Dado o último mergulho em águas excepcionalmente cálidas e sem a irritante 'nortada', esta 'extended silly season' termina bem. Só tenho pena -como um amigo meu costuma dizer- que a praia não tenha relva em vez de areia. Et bien: venham as castanhas, a água-pé e a jeropiga (não necessariamente por esta ordem).

11 outubro 2009

mar de Outono


Melhor que muitos dias de Verão. Aliás, a habitual gélida água das praias da Arrábida estava hoje em 'competição' aberta com as algarvias.

24 junho 2009

Atalhos


Não necessariamente aqueles em que nos metemos 'em trabalhos', como diz o ditado. Nem tão pouco significa, aqui, encurtar caminho. Como tenho o privilégio de morar fora da confusão urbana, ontem decidi vir 'pelos campos' no regresso a casa e os únicos 'transeuntes' em 8Km foram uma meia dúzia de coelhos que saltaram à minha frente, mas demasiado rápidos para figurarem nas imagens lá de cima, mas garanto que estão lá...
Volta e meia aparecem raposas, mas essas mais ao lusco-fusco.
Nada como o ar do campo -e da praia, logo ali por detrás daquela serra- para que o dia saia , pelo menos, mais valorizado.
Caminhos nada recomendáveis a Ferrari, Porsche e outros que tais se for essa a ideia de passeio. Mas conheço um bom tipo para a mecânica.

29 maio 2009

Prefácio de Verão


Eu e o calor somos incompatíveis. Algo tipo Peixes-Gémeos, astrologicamente escrevendo. Terei seguramente ascendente salmão para só me dar bem no frio.
Ontem, hoje e por este fim de semana fora, esta caloraça afogueante com laivos de magrebe tem-me deixado, justamente, como salmão na grelha.
Dir-me-ão 'se vivesses em Mogadouro é que havias de ver como elas estalam'. É um facto; acho que teria de trazer comigo um daqueles chapéus de ventoínha direccionada, tipo Prof. Pardal.
Vale-me a situação privilegiada de ter a 'minha praia' mesmo à mão de semear: o Creiro. É quase certo que este fim de semana estará impraticável, mesmo para 'atletas de ocasião' que não têm, primeiro, problema em descer a pé 700 ou 1.000 metros acentuados e, segundo, não dão parte-de-fraco no esforço do regresso, embora os bofes estejam já no vermelho. Não é para mim. Por isso, tenho de andar desencontrado ou em mês ou em horas, se quero um lugarzito de estacionamento controlado de modo a reduzir a distância entre o bafo quente e a água fria (ou gelada) lá em baixo. Às 7h da tarde fica tudo pacífico mas a água não aquece por isso, sublinhe-se.
Tudo isto porque ainda não me entregaram este aqui. Sou um tipo de gostos simples, não há nada a fazer.

01 maio 2009

Alambre revisitado


Finalmente optaram por não deixar o caruncho tomar conta dos bungalows de madeira, praticamente ao 'Deus dará' desde há muito. Falo do Parque Ambiental do Alambre, na Arrábida e o 'muito' é 11 anos. Ver aqui o rascunho de há 2 anos.
É inacreditável o desinteresse com que obras destas, aparentemente geradoras de recursos, sejam votadas ao abandono anos a fio. Não sei se da responsabilidade do Parque Natural da Arrábida (que permite carradas de lixo no Creiro, mas não permite o arrancar de uma flor) se do Inst. Conserv. da Natureza, se até de outra entidade qualquer com pretensões a colocar-se em bicos de pés, alguém seguramente o é.
Parece que agora o PAAlambre arrancou, em parceria com a ACM/YMCA de Setúbal, com o projecto criado há mais de uma década. Vale mais tarde que nunca, costuma-se dizer, e aqui, não terá sido certamente por falta de 'parceiros'.
Só para que conste, ainda estou à espera de resposta, desde '07, por pare do PNA.

03 fevereiro 2009

Albarquel revisitado

Dizem que custou 3,2M€ a revitalização da zona, ao abrigo do nunca-mais-anda-nem-acaba programa 'Polis'. Efectivamente, quem a viu e quem a vê, nota diferença substancial: ficou bonito, bem bonito mesmo, os 3,5 hectares. Mas...
Com tanto hectare e com tanto milhão, faz-me sempre confusão (rima e é verdade) que, em planta, não se vislumbre (estimados Arquitectos isto é para vós) que uma rampa de acesso ao equipamento de apoio ao parque (Bar e já lá vamos) se absolutamente necessária para pessoas com limitações físicas, não se infere daí que as restantes tenham de fazer o mesmo percurso; não que daí venha mal ao mundo, mas é estranho um terraço de esplanada com cota desnivelada sem guarda e sem escada.
O novo parque urbano de Albarquel tem, à data da foto, sete mesinhos. Voltado para uma das mais belas baías do mundo segundo consta e todos constatam, seria de prever que a 'aragem marítima' desse cabo do verniz barato que revestem os bancos. 3,2M deveriam contemplar em orçamento um revestimento capaz de durar mais algum tempo, digamos, 24 meses. O resultado final é já um ar desmazelado ao final de duzentos dias.
Bar/Café/Esplanada: desde que a fumarada cigarreira foi empurrada para o exterior, as esplanadas multiplicam-se (há males que acabam por vir por bem) e esta, com a tal localização de eleição, é um sítio que o concessionário deveria ter em atenção: as mesas são para estar limpas, o chão é para ser varrido, os cinzeiros são para estar lá fora e limpos, parte disto, é também válido para o interior. Irrita-me o estilo de negócio com um par de funcionários(as) atrás do balcão high-tech onde o cliente paga primeiro, é servido depois, transporta aquilo que já pagou, limpa a cadeira, limpa a mesa, limpa o cinzeiro e toma a bica fria. Pior: é que ninguém lhe paga para isto.
Não é preciso ir à 'prrofundurra' da questão para se perceber aquilo que é tão óbvio.

07 janeiro 2009

Da estrada real 22 ao queijo de Azeitão e outros


Curiosidades cá da aldeia, por assim dizer.

A setecentista estrada real 22, vem hoje em dia cruzar com a mais conhecida EN10, no alto da antiga 'Portella das Necessidades' separando os montes de S.Simão e S.Francisco; local de vista desafogada ainda, calculo que duzentos e cinquenta anos antes, o fosse ainda mais. Aqui fica a ermida das Necessidades, classificada como monumento nacional e essencialmente pelo que alberga no interior: a cruz das necessidades. Datada de 1474 e atribuída a Vasco Queimado de Villalobos. Conta a lenda que a cruz ali ficou por via da junta de bois que a transportava e mesmo depois de reforçada com outra parelha, acabou por partir o carro sendo então entendido como um sinal divino que dali não passaria. Ficou próximo do solar do morgado de Pilatos fundado por Álvaro de Sousa no sec.XVI e que foi também bispo do Funchal (quem diria) e tendo igualmente como residente, um século e qualquer coisa depois, Manoel de Mello, grão prior do Crato e porteiro-mor e um dos conjurados de 1640.
A ermida, essa, nasce em meados de setecentos pela vontade de Manoel Martins, homem de posses e devoto que não suportava ver o secular cruzeiro degradar-se: fica dentro da ermida. E lá está, graças a ele.

Em 1830, Gaspar Henriques de Paiva, beirão de gema, chega a Azeitão. Chega ele e mais um rebanho de ovelhas leiteiras.
Todos os anos, Gaspar, mandava vir um queijeiro da sua estimada Serra da Estrela para a serra mais a sul: a Arrábida. A intenção seria recriar por aqui o mesmo tipo de queijo que mais a norte e em terras bem mais frias conseguia fazer. Como há males que vêm por bem, Gaspar deu assim origem sem saber a um queijo ímpar devido à diferença climatérica e pasto: o queijo de Azeitão.
Aqui fica expresso o meu sentido agradecimento por tão providencial deslocação.

Com ou sem Gaspar, deslocam-se todos os dias alguns rebanhos de ovelhas aqui e ali, onde o betão ou a 'maison de Azeiton' ainda não cavou fundações.
Às vezes passam perto da entrada de El Carmen. Outra ermida, mas desta vez já na estrada para a serra e praias.
Outro sítio fabuloso (hoje propriedade, salvo erro e omissão, da Casa de Palmela) e para o qual D.Madalena Giron, duquesa de Aveiro, teve olho e bom gosto na segunda metade do séc.XVI.
Diz-se que, bem mais tarde, o Marquês de Pombal é que não teve olho para o brazão dos duques de Aveiro nesta propriedade uma vez que terá, consta, escapado à picareta (coisa que não aconteceu no solar dos duques no centro de Azeitão e que é nos dias de hoje um dó de alma ao ver o estado de degradação do palácio) e ao ódio de Pombal.

02 setembro 2008

Cetóbriga e a Quinta das Machadas


Os romanos gostaram, os holandeses também e eu ainda mais. Não rima mas é verdade. Setúbal não perdeu -ainda- a beleza e luz que -tomara muitas cidades do velho continente- lhe assiste por natureza. O génio empreendedor luso de hoje talvez não seja o mesmo que, na era dos descobrimentos, permitia passar da ideia à boa prática, sem delongas.
É difícil imaginar o Sado na actual avenida Luísa Tody (actualmente de pantanas à pala de um 'POLIS' mais que atrasado), da mesma forma que não conseguimos visualizar uma frota de navios holandeses zarparem do porto de Setúbal carregados do melhor e mais puro sal europeu: só entre dez anos (1680-1690) foram sete mil e quinhentos que partiram para as terras baixas.
Os holandeses estiveram em força na cidade e algumas partes da zona velha guardam ainda características de casas de Amsterdão. 
Multicultural nos séculos XVII e XVIII, Setúbal, captou também o interesse dos grandes banqueiros de Hamburgo; os Torlades, estavam entre eles. Carlos O'Neill (1760-1835) por casamento com Ana João Torlade, fiha de Henri Torlade, deu início a uma longa linhagem, de onde, nos nossos dias, ressalta o poeta Alexandre O'Neill.

A setecentista Quinta das Machadas, na foto lá em cima, pertença desta família, e na estrada do mesmo nome à saída de Setúbal pela serra, é daqueles elementos de arquitectura resistente ao avanço do inestético caixotão T3 'com vista para a serra e mar'. Quase entalada pelas urbanizações a sul, resiste estoicamente ao avanço do betão e dos muitos, muitos anos.
Hans Christian Andersen de lá levou a melhor recordação da sua estada neste país.

Parecia haver, há quatro anos, um projecto -não terá passado disso- para recuperação das grandes quintas históricas de Setúbal e baixa de Palmela: a das Machadas, a do Hilário, a da Arca de Água e outras tantas.
Não se espera que exista neste projecto parado o devaneio que assistiu D. João II, em 23 de Agosto de 1484, de fazer justiça pelas próprias mãos enviando o Duque de Viseu para o grande arquitecto do universo, ali mesmo no centro de Setúbal. Embora por vezes apeteça dar uns tabefes em burocratas de gravatinha e discurso de circunstância. 
Espera-se sim, que o título de Notável Vila, atribuído em 1514 por foral de D.Manuel II -o mesmo que anos antes fora obrigado a beijar o anel real de D. João II junto do cadáver do Duque de Viseu- não se perca, no século XXI.
A cidade do Sado tem um património invejável e, muitas vezes, desconhecido de outros muitos ou, parafraseando, João Bénard da Costa "talvez seja das cidades de Portugal a que tem mais para contar e da qual menos se conta".

08 julho 2008

Arrábida: inside out



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Estes dois videos aqui em cima aterraram na minha mailbox vindos sei lá eu de onde, como tantos outros que por ali passam a caminho do certeiro cesto de lixo. Porém, o nome que embrulhava o video cibernético, travou o envio fatal: 'Lapa Santa Margarida_Arrabida'

Na verdade, revelar-se-iam dois, em vez de um só. Não sei quem os fez, nem tão pouco reconheço o endereço de envio, por isso e caso o autor por aqui passe, só tem de bater à porta e dizer: 'é meu.'
Então vamos lá explicar um bocadinho disto aqui em cima, já que ambos os locais se situam quase aqui ao lado.

À Lapa de Santa Margarida da Arrábida, e à sua congénere Gruta da Figueira Brava, chega-se melhor de barco. Ora, como todos aqueles que conheço ou não têm gasolina ou estão penhorados pelo fisco, revelou-se sempre difícil conciliar uma boleia marítima com a minha disponibilidade. Portanto nunca lá pus os calcantes, mas sei onde ficam.
Sei eu e sabia também Alexandre Herculano: [...]"abre-se em dois arcos na rocha, um que dá sobre o mar, outro que dá para fragas. Entra-se pelo que dá sobre o mar, até onde vos puder internar o vosso barquinho, como fazem os pescadores do Cabo quando vão ouvir missa ou levar oferenda à Santa da Lapa. De repente arqueia-se sobre vós a gruta silenciosa, cheia de uma frescura e de uma suavidade inalteráveis, sepultada num silêncio religioso que o roçar das ondas parece não interromper.[...]"

No sopé da serra da Arrábida voltada a sul e entre o Portinho e a praia de Alpertuche e, dizem os especialistas, em arribas escavadas pelo mar no Plistocénico e resultantes da última glaciação, encontra-se a gruta, descoberta não se sabe bem quando ou por quem. Sabe-se sim que, Herculano, quando a visitou ficou pasmado pela transparência das gigantes colunas, a que se chama estalagmites "onde três homens não conseguem abraçar". Uma vez mais, entendidos na matéria, dizem que sob o ponto de vista espeleológico, trata-se de uma cavidade Cársica.
Na Lapa de Santa Margarida, encontra-se no interior a pequena capela, que teria tido três imagens de santos à altura da devoção das gentes da zona. Conta-se também que o último ermitão de guarda ao local terá tido mesada a cargo dos Duques de Aveiro (outros vizinhos aqui), portanto já lá vai algum tempo.

Estamos conversados sobre a gruta. Passemos à ermida: são 7 em toda a serra e pertença do 'Convento Novo' (séc. XV-XVI) que ainda lá está, felizmente bem conservado pela Fundação Oriente que o comprou à Casa Palmela há uns anos.
Uma dessas ermidas, oferecida pelo Duque de Aveiro em 1605, ao frade poeta Frei Agostinho da Cruz, serviria a este último de espartana residência contemplativa. Seria, em 1940, restaurada por ordem da Duquesa de Palmela.
Duvido poder ser que se desfaça
Com água clara, e branda a pedra dura
Com quem assim se beija, assim se abraça.

Mas ouço queixar dentro a Lapa escura,
Roídas as entranhas aparecem
Daquela rouca voz, que lá murmura.

Na que está no filme, a cela 7, e outro local de devoção, tem a imagem de Cristo Senhor dos Aflitos, do final do séc.XVII em tamanho natural e oferecida ao convento por D.João V.

A Arrábida é um inesgotável tema. Grutas, galerias, floresta, quintas e palácios, mar e terra. A voltar um destes dias, por aqui.