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Estes dois videos aqui em cima aterraram na minha mailbox vindos sei lá eu de onde, como tantos outros que por ali passam a caminho do certeiro cesto de lixo. Porém, o nome que embrulhava o video cibernético, travou o envio fatal: 'Lapa Santa Margarida_Arrabida'
Na verdade, revelar-se-iam dois, em vez de um só. Não sei quem os fez, nem tão pouco reconheço o endereço de envio, por isso e caso o autor por aqui passe, só tem de bater à porta e dizer: 'é meu.'
Então vamos lá explicar um bocadinho disto aqui em cima, já que ambos os locais se situam quase aqui ao lado.
À Lapa de Santa Margarida da Arrábida, e à sua congénere Gruta da Figueira Brava, chega-se melhor de barco. Ora, como todos aqueles que conheço ou não têm gasolina ou estão penhorados pelo fisco, revelou-se sempre difícil conciliar uma boleia marítima com a minha disponibilidade. Portanto nunca lá pus os calcantes, mas sei onde ficam.
Sei eu e sabia também Alexandre Herculano: [...]"abre-se em dois arcos na rocha, um que dá sobre o mar, outro que dá para fragas. Entra-se pelo que dá sobre o mar, até onde vos puder internar o vosso barquinho, como fazem os pescadores do Cabo quando vão ouvir missa ou levar oferenda à Santa da Lapa. De repente arqueia-se sobre vós a gruta silenciosa, cheia de uma frescura e de uma suavidade inalteráveis, sepultada num silêncio religioso que o roçar das ondas parece não interromper.[...]"
No sopé da serra da Arrábida voltada a sul e entre o Portinho e a praia de Alpertuche e, dizem os especialistas, em arribas escavadas pelo mar no Plistocénico e resultantes da última glaciação, encontra-se a gruta, descoberta não se sabe bem quando ou por quem. Sabe-se sim que, Herculano, quando a visitou ficou pasmado pela transparência das gigantes colunas, a que se chama estalagmites "onde três homens não conseguem abraçar". Uma vez mais, entendidos na matéria, dizem que sob o ponto de vista espeleológico, trata-se de uma cavidade Cársica.
Na Lapa de Santa Margarida, encontra-se no interior a pequena capela, que teria tido três imagens de santos à altura da devoção das gentes da zona. Conta-se também que o último ermitão de guarda ao local terá tido mesada a cargo dos Duques de Aveiro (outros vizinhos aqui), portanto já lá vai algum tempo.
Estamos conversados sobre a gruta. Passemos à ermida: são 7 em toda a serra e pertença do 'Convento Novo' (séc. XV-XVI) que ainda lá está, felizmente bem conservado pela Fundação Oriente que o comprou à Casa Palmela há uns anos.
Uma dessas ermidas, oferecida pelo Duque de Aveiro em 1605, ao frade poeta Frei Agostinho da Cruz, serviria a este último de espartana residência contemplativa. Seria, em 1940, restaurada por ordem da Duquesa de Palmela.
A Arrábida é um inesgotável tema. Grutas, galerias, floresta, quintas e palácios, mar e terra. A voltar um destes dias, por aqui.
Na verdade, revelar-se-iam dois, em vez de um só. Não sei quem os fez, nem tão pouco reconheço o endereço de envio, por isso e caso o autor por aqui passe, só tem de bater à porta e dizer: 'é meu.'
Então vamos lá explicar um bocadinho disto aqui em cima, já que ambos os locais se situam quase aqui ao lado.
À Lapa de Santa Margarida da Arrábida, e à sua congénere Gruta da Figueira Brava, chega-se melhor de barco. Ora, como todos aqueles que conheço ou não têm gasolina ou estão penhorados pelo fisco, revelou-se sempre difícil conciliar uma boleia marítima com a minha disponibilidade. Portanto nunca lá pus os calcantes, mas sei onde ficam.
Sei eu e sabia também Alexandre Herculano: [...]"abre-se em dois arcos na rocha, um que dá sobre o mar, outro que dá para fragas. Entra-se pelo que dá sobre o mar, até onde vos puder internar o vosso barquinho, como fazem os pescadores do Cabo quando vão ouvir missa ou levar oferenda à Santa da Lapa. De repente arqueia-se sobre vós a gruta silenciosa, cheia de uma frescura e de uma suavidade inalteráveis, sepultada num silêncio religioso que o roçar das ondas parece não interromper.[...]"
No sopé da serra da Arrábida voltada a sul e entre o Portinho e a praia de Alpertuche e, dizem os especialistas, em arribas escavadas pelo mar no Plistocénico e resultantes da última glaciação, encontra-se a gruta, descoberta não se sabe bem quando ou por quem. Sabe-se sim que, Herculano, quando a visitou ficou pasmado pela transparência das gigantes colunas, a que se chama estalagmites "onde três homens não conseguem abraçar". Uma vez mais, entendidos na matéria, dizem que sob o ponto de vista espeleológico, trata-se de uma cavidade Cársica.
Na Lapa de Santa Margarida, encontra-se no interior a pequena capela, que teria tido três imagens de santos à altura da devoção das gentes da zona. Conta-se também que o último ermitão de guarda ao local terá tido mesada a cargo dos Duques de Aveiro (outros vizinhos aqui), portanto já lá vai algum tempo.
Estamos conversados sobre a gruta. Passemos à ermida: são 7 em toda a serra e pertença do 'Convento Novo' (séc. XV-XVI) que ainda lá está, felizmente bem conservado pela Fundação Oriente que o comprou à Casa Palmela há uns anos.
Uma dessas ermidas, oferecida pelo Duque de Aveiro em 1605, ao frade poeta Frei Agostinho da Cruz, serviria a este último de espartana residência contemplativa. Seria, em 1940, restaurada por ordem da Duquesa de Palmela.
Duvido poder ser que se desfaça
Com água clara, e branda a pedra dura
Com quem assim se beija, assim se abraça.
Mas ouço queixar dentro a Lapa escura,
Roídas as entranhas aparecem
Daquela rouca voz, que lá murmura.
Na que está no filme, a cela 7, e outro local de devoção, tem a imagem de Cristo Senhor dos Aflitos, do final do séc.XVII em tamanho natural e oferecida ao convento por D.João V.Com água clara, e branda a pedra dura
Com quem assim se beija, assim se abraça.
Mas ouço queixar dentro a Lapa escura,
Roídas as entranhas aparecem
Daquela rouca voz, que lá murmura.
A Arrábida é um inesgotável tema. Grutas, galerias, floresta, quintas e palácios, mar e terra. A voltar um destes dias, por aqui.
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