Curiosidades cá da aldeia, por assim dizer.
A setecentista estrada real 22, vem hoje em dia cruzar com a mais conhecida EN10, no alto da antiga 'Portella das Necessidades' separando os montes de S.Simão e S.Francisco; local de vista desafogada ainda, calculo que duzentos e cinquenta anos antes, o fosse ainda mais. Aqui fica a ermida das Necessidades, classificada como monumento nacional e essencialmente pelo que alberga no interior: a cruz das necessidades. Datada de 1474 e atribuída a Vasco Queimado de Villalobos. Conta a lenda que a cruz ali ficou por via da junta de bois que a transportava e mesmo depois de reforçada com outra parelha, acabou por partir o carro sendo então entendido como um sinal divino que dali não passaria. Ficou próximo do solar do morgado de Pilatos fundado por Álvaro de Sousa no sec.XVI e que foi também bispo do Funchal (quem diria) e tendo igualmente como residente, um século e qualquer coisa depois, Manoel de Mello, grão prior do Crato e porteiro-mor e um dos conjurados de 1640.
A ermida, essa, nasce em meados de setecentos pela vontade de Manoel Martins, homem de posses e devoto que não suportava ver o secular cruzeiro degradar-se: fica dentro da ermida. E lá está, graças a ele.
Em 1830, Gaspar Henriques de Paiva, beirão de gema, chega a Azeitão. Chega ele e mais um rebanho
de ovelhas leiteiras.
Todos os anos, Gaspar, mandava vir um queijeiro da sua estimada Serra da Estrela para a serra mais a sul: a Arrábida. A intenção seria recriar por aqui o mesmo tipo de queijo que mais a norte e em terras bem mais frias conseguia fazer. Como há males que vêm por bem, Gaspar deu assim origem sem saber a um queijo ímpar devido à diferença climatérica e pasto: o queijo de Azeitão.
Aqui fica expresso o meu sentido agradecimento por tão providencial deslocação.
Com ou sem Gaspar, deslocam-se todos os dias alguns rebanhos de ovelhas aqui e ali, onde o betão ou a 'maison de Azeiton' ainda não cavou fundações.
Às vezes passam perto da entrada de El Carmen. Outra ermida, mas desta vez já na estrada para a serra e praias.
Outro sítio fabuloso (hoje propriedade, salvo erro e omissão, da Casa de Palmela) e para o qual D.Madalena
Giron, duquesa de Aveiro, teve olho e bom gosto na segunda metade do s
éc.XVI.
Diz-se que, bem mais tarde, o Marquês de Pombal é que não teve olho para o brazão dos duques de Aveiro nesta propriedade uma vez que terá, consta, escapado à picareta (coisa que não aconteceu no solar dos duques no centro de Azeitão e que é nos dias de hoje um dó de alma ao ver o estado de degradação do palácio) e ao ódio de Pombal.
A setecentista estrada real 22, vem hoje em dia cruzar com a mais conhecida EN10, no alto da antiga 'Portella das Necessidades' separando os montes de S.Simão e S.Francisco; local de vista desafogada ainda, calculo que duzentos e cinquenta anos antes, o fosse ainda mais. Aqui fica a ermida das Necessidades, classificada como monumento nacional e essencialmente pelo que alberga no interior: a cruz das necessidades. Datada de 1474 e atribuída a Vasco Queimado de Villalobos. Conta a lenda que a cruz ali ficou por via da junta de bois que a transportava e mesmo depois de reforçada com outra parelha, acabou por partir o carro sendo então entendido como um sinal divino que dali não passaria. Ficou próximo do solar do morgado de Pilatos fundado por Álvaro de Sousa no sec.XVI e que foi também bispo do Funchal (quem diria) e tendo igualmente como residente, um século e qualquer coisa depois, Manoel de Mello, grão prior do Crato e porteiro-mor e um dos conjurados de 1640.
A ermida, essa, nasce em meados de setecentos pela vontade de Manoel Martins, homem de posses e devoto que não suportava ver o secular cruzeiro degradar-se: fica dentro da ermida. E lá está, graças a ele.
Em 1830, Gaspar Henriques de Paiva, beirão de gema, chega a Azeitão. Chega ele e mais um rebanho
de ovelhas leiteiras.Todos os anos, Gaspar, mandava vir um queijeiro da sua estimada Serra da Estrela para a serra mais a sul: a Arrábida. A intenção seria recriar por aqui o mesmo tipo de queijo que mais a norte e em terras bem mais frias conseguia fazer. Como há males que vêm por bem, Gaspar deu assim origem sem saber a um queijo ímpar devido à diferença climatérica e pasto: o queijo de Azeitão.
Aqui fica expresso o meu sentido agradecimento por tão providencial deslocação.
Com ou sem Gaspar, deslocam-se todos os dias alguns rebanhos de ovelhas aqui e ali, onde o betão ou a 'maison de Azeiton' ainda não cavou fundações.
Às vezes passam perto da entrada de El Carmen. Outra ermida, mas desta vez já na estrada para a serra e praias.
Outro sítio fabuloso (hoje propriedade, salvo erro e omissão, da Casa de Palmela) e para o qual D.Madalena
Giron, duquesa de Aveiro, teve olho e bom gosto na segunda metade do s
éc.XVI.Diz-se que, bem mais tarde, o Marquês de Pombal é que não teve olho para o brazão dos duques de Aveiro nesta propriedade uma vez que terá, consta, escapado à picareta (coisa que não aconteceu no solar dos duques no centro de Azeitão e que é nos dias de hoje um dó de alma ao ver o estado de degradação do palácio) e ao ódio de Pombal.
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