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09 fevereiro 2011

há circo na aldeia


Não são companhias de renome capazes de fazer sombra àqueles que vão ao principado do Mónaco ou a palcos mais elaborados prontos a receber o Cirque du Soleil; estes, vão simplesmente para terrenos de terra batida, lado a lado com os seus camiões, jaulas e recinto arejado para animais mais dóceis e logo ali está a escada de acesso à tenda circense. Mesmo que houvesse grandes nomes do Circo, éramos capazes de não os reconhecer, por isso, talvez seja melhor anunciar tão somente o incrível homem bala. Seja ele quem for.
E viva o Circo.

08 fevereiro 2011

aqui há cavalos


Aqui sim. Sem interromper trânsito algum que não seja o das formigas ou borboletas. Fica quase paredes meias aqui de casa e só a companhia dos fantásticos cavalos que por aqui estão é quase como uma purga p'ra alma.

11 setembro 2010

vinte mil reis


Esse foi o donativo de D.Carlos I quando decidiu ir ouvir a Filarmónica Providência de Vila Fresca de Azeitão, numa noite igualmente fresca de Abril de 1904, no Palácio da Bacalhoa.
Para que dúvidas não subsistissem quanto à real generosidade, se assentou então, no livro de contas da dita Filarmónica.

05 setembro 2010

à volta da festa

Continuando em tom festivo: à volta da festa, duas outras aldeias -ainda mais pequenas- têm história para contar; uma é Castanhos e a outra Pinheiros de Azeitão, o texto que se segue, sobre a última, vem daqui:

"A primeira referência que se conhece em relação a Pinheiros de Azeitão, encontra-se no Convento de São Domingos de Azeitão e consta do seguinte :

"Em nome de Ds. amem. Saybbam q.ntos esta c.ta. de pura verd.de birem qna Era do Nacim.to denosso Senhor Jh~u xpos de mill Eqtro centos E ~Tnta Eh~um anõs ... em Azetã ... na aldea de billa feixe ... pareceu bernalda Dominguez ... morador no dito logo de azeitã na aldea dos pinheiros ... "

Aldeia, como já se disse, era o núcleo urbano de uma herdade e geralmente tinha o nome do dono da herdade. Havia algumas excepções, mas raras. Por isso é minha convicção que Pinheiros era nome de pessoa. Nesse caso, quem seriam os Pinheiros ?

Em 1411 viviam em Setúbal, Estevão Anes Pinheiro, Lourenço Pinheiro e Estevão Pinheiro. Eram todos originários de Barcelos, onde a família Pinheiros tinha importncia. Tristão Gomes Pinheiro mandou amuralhar Barcelos. Era desta família, a mãe de Dom Afonso, filho bastardo de Dom João I , e primeiro Duque de Bragança.

Os Pinheiros de Setúbal eram todos criados do Príncipe Dom João, Mestre da Ordem de Santiago. Nesse tempo, "criado" era cargo importante .

Em 1427, Dom João fica dono da Bacalhoa sucedendo-lhe sua filha, Dona Brites que teve como "criado", outro Pinheiro, Diogo Pires, neto do supra citado Estevão.

Em 1570, moram em Pinheiros : Brás Pires e Francisco Pires, ambos da família dos Pinheiros, pelo que é hipótese justificada que sendo da casa do Príncipe e da Infanta e responsáveis pela Bacalhoa, fossem donos da Herdade dos Pinheiros, onde se fundou a Aldeia.

É possível ainda que a Aldeia da Quinta do Anjo, que também se chamou Aldeia dos Pinheiros, tenha tido a mesma origem.

Pinheiros de Azeitão é circundada pelo antigo morgado dos Marqueses de Minas, que compreendia ainda a Quinta da Torre, sendo seu mais ilustre proprietário o célebre Dom Francisco de Sousa, primeiro Marquês de Minas e terceiro Conde do Prado que tomou Madrid na Guerra da Sucessão, de Espanha.

Os testemunhos históricos mais antigos da Aldeia de Pinheiros são dois ou três portais quinhentistas."

há festa na aldeia

A aldeia, com muito peso de história, é pequeníssima mas bonitinha. Todos os anos, em Vila Fresca de Azeitão, as festas de Nª.Sra. da Saúde tomam lugar no primeiro fim de semana de Setembro. Não há carrosséis, nem carrinhos de choque nem vendas de artesanato lá dos Andes ou das Áfricas, a coisa é simples e pequena como a aldeia e tudo se conta em unidades únicas: uma roulotte de farturas, uma de forno a lenha para o pão com chouriço/torresmos, uma para as doçarias de Azeitão e uma para as-sempre-presente bifanas, 'pica-pau' e muito etc. Ah! e a quermesse, essa presença fiel em stand próprio. Também o que é diferente nestas festas é que existe orquestra: a da centenária Soc. Filarmónica Providência. Conservam os resguardos originais dos músicos da orquestra desde 1956 com o nome bem gravado na diagonal: 'Bohemia'. Do pop ao jazz, dá gosto ouvir.
Estas são as festas onde muitos 'tios' e 'tias' se encontram, nacionais ou estrangeiros, mas há diferença claramente visível entre aqueles que são de geração e os outros que são produto de novo-riquismo e, não raras vezes, mal sucedidos. Mas as festas são isso mesmo: um mistura de gentes.
Paredes meias com a Quinta da Bacalhoa e a escassos metros da Quinta das Torres -ambas com muitos séculos de aventuras- estas são as festas que também poderiam ter influenciado Jacques Tati; pessoalmente prefiro estas, com muito menos gente e tamanha simplicidade, às de Julho, em Vª Nogueira de Azeitão. Mas gostos, como se costuma dizer, não se discutem.

Créditos: Pedro Marquês de Sousa- Pres. da Direcção da Soc.Fil.Providência- V.F.Azeitão

24 agosto 2010

sol e amoras


Parece quase o sol de Outono, mas ainda falta uma semanas. Para já, este, ainda é o de Verão que já vai baixinho, mas ao entrar pela cozinha dentro até fez esquecer a dura luta com as amoras silvestres dessa tarde e já no tacho à espera de fazerem 'ponto' para uma compota divinal.

19 agosto 2010

tenant-mix: o país do retalho


Não sei porquê, mas gosto da expressão 'tenant-mix'. Tem sonoridade, acho. Tenant-mix não é mais que, em bom português, a distribuição na fase de obra do tipo de lojas pelo espaço tendo em vista o binómio rentabilidade lojista/dono do centro comercial.
Em Novembro, haverá, por estas bandas, mais do mesmo: um retail park. As lojas ('âncoras', 'mais-ou-menos-âncoras' e 'satélites') do costume, a mesma geração dos '500 euros' (ou menos) com a rotação que se conhece em lojas abertas horas e horas a fio e, claro, mais um super-supermercado a juntar à meia-dúzia já existente na zona.
O que é que este novo 'retail park' terá de diferente, não sei. Depois direi. Mas à primeira vista, não se enxerga, em conceito, notória diferença dos que já estão instalados em Alcochete e Carregado.
Se bem que são bem mais agradáveis que espaços fechados (há sempre quem reclame do Inverno com chuva e frio e prefere a condensação num ambiente climatizado), a vista ao redor, que a página do empreendimento diz existir a partir do terraço da restauração, enquanto a restante mata não arder ou der lugar a mais instalações fabris, sim, de facto, existe alguma 'vista', mais não seja, para ver passar comboios. Só isso.
Antevejo complicações de fins de semana na EN10, porque o 'embelezamento' com as clássicas rotundas não servirá de grande coisa, já que a estrada continua a mesma: 1 faixa para lá e 1 faixa para cá. Sabendo nós todos como o portuga se comporta quando estes espaços abrem, está bom de ver o trânsito que irá existir, pelo menos enquanto for novidade, porque para além disto, havendo uma gasolineira barata incluída no leque de ofertas do espaço, nem será preciso fim de semana.
Haja então retalho e outlet (hum... outra expressão engraçada) que a freguesia aparece.

11 agosto 2010

do bom senso ou da ausência dele


Felizmente, muito raramente tive de recorrer a um centro de saúde e só recentemente 'me transferi' do anterior centro de saúde da Lapa, em Lisboa, para este aqui de Azeitão; afinal de contas não fazia qualquer sentido, treze anos depois, continuar 'agregado' a uma unidade de saúde fora de zona, onde apenas fui duas vezes na vida. Não tenho médico de família nem nunca tive, entendo o conceito, mas se continuar a não ter, provavelmente, nos próximos tempos, não virá mal ao mundo daí.
Neste sentido, seria o último da lista a ter que apontar qualquer coisinha ao funcionamento dos centros de saúde, já que como utente, apenas conto para a estatística. No entanto, acabo por lá ir por questões familiares e constato várias coisas; se há nota positiva quanto à amabilidade da maioria dos funcionários de secretaria (do corpo clínico não sei), vejo que procedimentos existentes não fazem qualquer sentido.
Não são exactamente 'coisas' de gestão, mas de puro bom senso e de forma a qua facilitassem ambas as vidas: a deles próprios (funcionários) e a dos utentes. Hoje, numa consulta que começara a partir das 9h da manhã, o utente, foi chamado -provavelmente num tempo record- com a 'senha n#2', ou seja 9.15h. Dez minutos foi quanto demorou a consulta. Até aqui tudo bem, até porque o objectivo da consulta era muito concreto. Mas eis que o utente sai com uma receita de um par de medicamentos na mão e que necessita de uma mísera vinheta do centro de saúde. Quanto tempo para este procedimento? 50 (cinquenta) minutos, apenas e só, sublinhe-se, para colar 1 vinheta na simples receita, pelos elementos da secretaria.
Faz sentido? Para mim e para o comum mortal seguramente que não.

Porque razão o(s) próprio(s) médico(s), que coloca(m) a sua, não há-de colocar mais uma do próprio centro onde está a efectuar o acto clínico? Que necessidade existe em se fazer perder tempo e aglomerar pessoas por causa de uma tonteria de identificação do local, para o qual tem de se voltar a tirar senha unicamente para fazer isto?
O bom senso de um dos colaboradores, que ia alternadamente chamando 'por quem está para carimbar receitas' é subitamente mudado com a entrada de outra colega, que esta, insiste nas senhas tiradas e atendimento por n# de ordem. Manda quem pode, obedece quem deve. O acto de colagem da etiqueta demorou exactamente 10 segundos e não foi preciso cuspo: é autocolante.
Pelo que me dizem, isto é prática comum em todos os centros de saúde. Mas porque razão? Acaso isto terá algum fundamento de física nuclear que eu desconheça?
Jorge & George, eu posso estar errado, mas então: enlighten me.