
Representa para mim aquilo que a Igreja, de facto, deveria ser.
A excelente peça 'Pão Amargo' da jornalista Teresa Botelheiro que há pouco passou na RTP1, teve intervenções sob a análise de D. Manuel Martins. O raciocínio lógico, a visão alargada e preocupada sobre a desgraça de muitos portugueses (os que se conhecem ou dão a conhecer) que formam efectivamente os novos pobres nesta nova e estranha sociedade, cheio de razão quando afirma que a Igreja tem de estar atenta e com papel activo naquilo que, infelizmente, se está a passar no nosso país, fazem dele aquilo que se gostaria de poder esperar de uma instituição com milhões de seguidores.
Mas a realidade é outra: o chefe máximo está em África mantendo firme a sua convicção sobre o maléfico preservativo na sua agenda.
Bispo resignatário -mas não resignado- de Setúbal, D. Manuel Martins, recebeu a rotulagem de 'Bispo vermelho' -não que isso lhe importasse conforme ele o disse por mais que uma vez- nos tempos difíceis de fome e tensão social em Setúbal vai para mais de vinte anos e lembro-me bem das suas intervenções na altura, com o espírito que sempre o caracterizou: dizer o que pensa sem receios de agradar mais a "A" do que a "B". Alinhavar justiça e solidariedade.
Na altura, o fecho sucessivo de fábricas da indústria conserveira e derivados aliado ao encerramento da fábrica da Renault, lançaram o desespero colectivo na península.
O pior, é que não se perspectiva algo de muito diferente hoje em dia.
Nem muitos 'Silva Martins'.
Apenas resignados.
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