07 janeiro 2009

A guerra segue dentro de momentos


"Está lá? É da guerra?" "Sim!" "Meu capitão, fiz um prisioneiro!" "E onde está ele?" "Não quis vir."

Raúl Solnado tinha uma genial paródia à guerra e, se o excerto que aqui coloquei, não é exactamente assim, andará muito próximo.
Vem isto a propósito de ter achado curioso a notícia que há pouco ouvi num noticiário e que dava conta de 'uma pausa de 3h. na guerra', decretada por Israel. Guerra que decorre -como espectáculo- na estreitinha faixa de Gaza e que opõe, como mundialmente se sabe, Israel e o irredutível movimento Hamas.
A tal pausa, aparentemente, destina-se a deixar passar ambulâncias, mantimentos, assistência e outros recursos de emergência, teoricamente, para civis.
Não sei se o intervalo dará direito a ir ao bar, comprar um cola e um balde de pipocas ou se ao sinal de três toques de campaínha a infantaria não aparece e portanto não haverá guerra e poderão ir todos para casa.

A(s) guerra(s) hoje em dia é muito diferente do que era há 30, 40, 50 ou 60 anos atrás, parecendo haver agora uma hipócrita preocupação do -tecnicamente- mais forte para com quem leva bordoada, quando, logo à partida, é a estupidez que impera, seja de que lado for, ao desencadear conflitos armados.
Numa colina próxima, como se tem visto nas televisões, jornalistas cobrem à distância o espectáculo bélico num 'palco' lá para o fundo, mas onde os 'actores' contratados e principalmente os 'figurantes' não ficam sujos de molho de tomate e a morte é mesmo a sério.
Pede-se então desculpa pela interrupção, a guerra segue dentro de momentos.

0 comments: