27 outubro 2008

Águas passadas II


A casa dos avós, em Lisboa, tinha sempre uma reserva considerável de água engarrafada, isto porque a minha avó nunca confiou na CAL- Companhia das Águas de Lisboa, segundo ela, desde o século XIX, para dar aquele ar de antiguidade (tinha nascido em 1891) e portanto, nada a faria mudar de ideias. Entre águas várias, o meu palato detestava a Luso, mas em contrapartida inventava sede para beber aquelas que realmente me sabiam bem: Vimeiro e Bela Vista.
Em garrafões de palha entrelaçada e um rótulo quase sempre mal colado, a setubalense Bela Vista, marcava pontos. Se a do Vimeiro ainda existe, o mesmo já não acontece com a Bela Vista. Sendo certo que a quinta em Setúbal está parcialmente ocupada pela cadeia de 'discount' Lidl -só lhes ficaria bem um acto magnânimo de intervenção- , a torre que sempre foi o ícone do rótulo da água, essa está -aparentemente- bem conservada; quanto às nascentes, o caso já não é assim. Acabado o engarrafamento desde os primeiros anos da década de '70, hoje, a quinta da Bela Vista, tem essencialmente a vista que o nome justamente lhe confere, se bem que a urbanização que por ali foi plantada há uns anos, não seja exactamente conhecida pelos melhores motivos.
Águas passadas, de facto. O que é pena, porque se trata(va) de uma das melhores águas de mesa deste país.

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