
Júlio Dantas, homem de mil afazeres e esse que teve também a fineza de oferecer o ramo de flores a D.Amélia momentos antes do regicídio -caso contrário nem isso a rainha teria para arremessar- tem na sua vasta obra literária uma época de eleição: o século XVIII. Mordaz e incisivo, seria certamente um bom cronista para os tempos actuais.
De 'Pátria Portuguesa', retira-se então este excerto:
"Nessa tarde, D.João V dava despacho ao secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Sua Eminência o cardeal da Mota […] .
- O que há?
- De Viena… de Viena… Cá está. Diz Diz Sebastião José de Carvalho e Melo (embaixador em Viena) que os bispos podem vir a Lisboa para cantar o Evangelho, como Vossa Majestade deseja. Mas pedem já 10.000 cruzados para as viagens.
- Que lhe parece, cardeal?
- Parece-me que pedem muito, meu senhor.
- Mande-lhes dar o dobro. E de Roma?
- Veio carta de André de Melo e Castro (embaixador em Roma). Trata de vários assuntos […] Diz que o título de Alteza Sereníssima para o cardeal Patriarca de Lisboa será difícil de obter do Papa…
- Difícil?
D. João V mordeu o beiço, carregou os sobrolhos, vincou duas rugas na testa alta, tornada mais alta ainda pela cebeleira vinda de França, e repetiu:
- Difícil? Diga a André de Melo e Castro que eu não tenho embaixadores, nem residentes, nem enviados extraordinários para que se permitam achar difícil aquilo que desejo! Se Roma se vende caro, que a compre caro! Que atire o oiro às mãos-cheias a esses italianos e quando já não tiver a quem dar, que o deite ao rio. Quero que os ministros sejam espelhos da minha grandeza e não representantes de um monarca arruinado! […] O cardeal tomou nota, imperturbável, com a pluma branca de ganso a tremer-lhe na mão […] ."
De 'Pátria Portuguesa', retira-se então este excerto:
"Nessa tarde, D.João V dava despacho ao secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Sua Eminência o cardeal da Mota […] .
- O que há?
- De Viena… de Viena… Cá está. Diz Diz Sebastião José de Carvalho e Melo (embaixador em Viena) que os bispos podem vir a Lisboa para cantar o Evangelho, como Vossa Majestade deseja. Mas pedem já 10.000 cruzados para as viagens.
- Que lhe parece, cardeal?
- Parece-me que pedem muito, meu senhor.
- Mande-lhes dar o dobro. E de Roma?
- Veio carta de André de Melo e Castro (embaixador em Roma). Trata de vários assuntos […] Diz que o título de Alteza Sereníssima para o cardeal Patriarca de Lisboa será difícil de obter do Papa…
- Difícil?
D. João V mordeu o beiço, carregou os sobrolhos, vincou duas rugas na testa alta, tornada mais alta ainda pela cebeleira vinda de França, e repetiu:
- Difícil? Diga a André de Melo e Castro que eu não tenho embaixadores, nem residentes, nem enviados extraordinários para que se permitam achar difícil aquilo que desejo! Se Roma se vende caro, que a compre caro! Que atire o oiro às mãos-cheias a esses italianos e quando já não tiver a quem dar, que o deite ao rio. Quero que os ministros sejam espelhos da minha grandeza e não representantes de um monarca arruinado! […] O cardeal tomou nota, imperturbável, com a pluma branca de ganso a tremer-lhe na mão […] ."
1 comments:
a mania das grandezas e o gastar ao desbarato quando se tem dinheiro no bolso ja vem de longe.
e não começou com o rei sol portugal
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