02 maio 2010

auto de fé: terreiro do paço


[...]como as culpas já vinham declaradas e qualificadas pelos ministros do Santo Officio, não havia mais que abrir o Liv. V da Ordenação e, apontar o título e parágrafo, em que os réus estavam incursos. O único favor que n'estas alturas faziam ao padecente era perguntarem-lhe em que lei queria morrer. Se respondia que na de Christo, concediam-lhe a graça ineffavel de ser garrotado primeiro e depois lançado à fogueira. Se preferia alguma outra, era então queimado em vida.[...]

A Inquisição por cá teve vida longa: duzentos e oitenta e cinco anos. A 7 de Agosto de 1794 colocou-se o último sinete nos livros dos condenados pelo Santo Ofício, este último, cheio de sorte porque apenas arrecadou prisão e não as achas para a sua própria fogueira. Deverá ter dado graças ao já defunto Marquês de Pombal que tinha trazido a Igreja debaixo de olho.
O Vaticano acabou por reconhecer os erros e injustiças que cometeu ao longo dos séculos para com inocentes, a partir do empreendorismo cego e ignóbil de Torquemada.
327 anos depois da última fogueira acesa para consumo de vidas 'sem fé', no Terreiro do Paço, o Papa da actualidade vem até ao mesmo local celebrar missa. Muito provavelmente, será politicamente correcto omitir o facto.

1 comments:

Luís Maia disse...

Também se poderá organizar um concerto comemorativo em memória dos cantores castrati, que a igreja de Roma cultivava duma forma que me recuso fazer ao meu gato.