
A quantidade de locais ditos 'assombrados' neste quintal lusitano é obra. Literalmente.
Normalmente estes assombros instalam-se em obra feita: casas, casarões, palácios e palacetes. Uma das mais conhecidas, é a celébre ruína (não tem outro nome actualmente) de um antigo dancing-casa de chá-restaurante às vezes, ali no terminar da Marginal de Cascais (para quem vem de lá) e enfiadura dos acessos às auto-estradas, mais concretamente no lugar da Quinta da Boa Viagem. Diz-se que n-a-d-a por lá vinga. Deverá ser verdade porque há décadas que está imutável, mas cuidai-vos porque o 'exorcista Isaltino' está atento.
Nesse eixo da Marginal outras existem, como de resto, dá conta um artigo publicado há uns meses no 'Expresso'. Mas bem mais afastado fica o enorme e desactivado edifício do Sanatório dos Caminhos de Ferro, junto às Penhas da Saúde, num local de nome atractivo: Porta dos Hermínios.
Tão actrativo quanto o preço simbólico pelo qual foi vendido, nos finais dos anos '90, pela Turistrela à antiga Enatur: 1$00. Com contra-partidas, claro.
O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita, diz a voz do povo. O enorme e bonito edifício projectado por Cottinelli Telmo nos anos 20 a pedido dos Caminhos de Ferro para ali tratar dos seus funcionários afectados pela tuberculose, levou quase uma década a construir e mesmo depois de pronto, outro tanto para abrir portas. Portas essas que haviam de dividir as classes sociais do tipo A1/B e C pequenino. Em 1969, o último a fechar a porta apagou a luz.
Voltaram a tocar o interruptor com as gentes que chegavam da descolonização africana e em meados de '80 ficou de novo ao abandono.
Num Sanatório, nem todas as estórias são boas e as que não são, servem para alimentar o imaginário da assombração.
Na verdade, basta estar-se influenciado pela própria ambiência do local, algo sinistro, na altura que por lá passei de raspão: um fim de ano, precisamente no final dos anos oitenta. Tarde escura de invernia e trovoada q.b. Recordo-me bem, justamente por não ter gostado. E também porque o carro não voltou a pegar. E também porque foi uma carga de trabalhos conseguir uma boleia para a Covilhã e outra aventura para arranjar um reboque. O mecânico, qual cirurgião em dia de urgência, fez o mesmo que eu faço: abre o capot, hummm, fecha e espera que avaria passe. Não passou. Alça o bólide para cima da garupa do camionete e aí vamos nós de volta ao burgo, no meio da tormenta que caía desabrida. Para que não fique encavalitado, decide ele retirá-lo do seis rodas 'Onde são as luzes? 'pergunta-me. 'segundo botão à esquerda, mas só ligam com a chave'- digo-lhe. Milagre: ele ronca.
Caprichos mecânicos, obviamente. Mas por via das dúvidas, quando me dizem que está projectada uma pousada para aquele local, não sei porquê, não quero nem ouvir falar.
Normalmente estes assombros instalam-se em obra feita: casas, casarões, palácios e palacetes. Uma das mais conhecidas, é a celébre ruína (não tem outro nome actualmente) de um antigo dancing-casa de chá-restaurante às vezes, ali no terminar da Marginal de Cascais (para quem vem de lá) e enfiadura dos acessos às auto-estradas, mais concretamente no lugar da Quinta da Boa Viagem. Diz-se que n-a-d-a por lá vinga. Deverá ser verdade porque há décadas que está imutável, mas cuidai-vos porque o 'exorcista Isaltino' está atento.
Nesse eixo da Marginal outras existem, como de resto, dá conta um artigo publicado há uns meses no 'Expresso'. Mas bem mais afastado fica o enorme e desactivado edifício do Sanatório dos Caminhos de Ferro, junto às Penhas da Saúde, num local de nome atractivo: Porta dos Hermínios.
Tão actrativo quanto o preço simbólico pelo qual foi vendido, nos finais dos anos '90, pela Turistrela à antiga Enatur: 1$00. Com contra-partidas, claro.
O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita, diz a voz do povo. O enorme e bonito edifício projectado por Cottinelli Telmo nos anos 20 a pedido dos Caminhos de Ferro para ali tratar dos seus funcionários afectados pela tuberculose, levou quase uma década a construir e mesmo depois de pronto, outro tanto para abrir portas. Portas essas que haviam de dividir as classes sociais do tipo A1/B e C pequenino. Em 1969, o último a fechar a porta apagou a luz.
Voltaram a tocar o interruptor com as gentes que chegavam da descolonização africana e em meados de '80 ficou de novo ao abandono.
Num Sanatório, nem todas as estórias são boas e as que não são, servem para alimentar o imaginário da assombração.
Na verdade, basta estar-se influenciado pela própria ambiência do local, algo sinistro, na altura que por lá passei de raspão: um fim de ano, precisamente no final dos anos oitenta. Tarde escura de invernia e trovoada q.b. Recordo-me bem, justamente por não ter gostado. E também porque o carro não voltou a pegar. E também porque foi uma carga de trabalhos conseguir uma boleia para a Covilhã e outra aventura para arranjar um reboque. O mecânico, qual cirurgião em dia de urgência, fez o mesmo que eu faço: abre o capot, hummm, fecha e espera que avaria passe. Não passou. Alça o bólide para cima da garupa do camionete e aí vamos nós de volta ao burgo, no meio da tormenta que caía desabrida. Para que não fique encavalitado, decide ele retirá-lo do seis rodas 'Onde são as luzes? 'pergunta-me. 'segundo botão à esquerda, mas só ligam com a chave'- digo-lhe. Milagre: ele ronca.
Caprichos mecânicos, obviamente. Mas por via das dúvidas, quando me dizem que está projectada uma pousada para aquele local, não sei porquê, não quero nem ouvir falar.
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