Faz hoje.
Um dos intervenientes nesta Primavera académica -e da qual J.Hermano Saraiva saíu a perder- é agora candidato ao 'bem-bom' europeu. É *vital* que vá?
Sentes que um tempo acabou
Primavera de flor adormecida
Qualquer coisa que não volta, que voou
Que foi um rio, um ar, na tua vida
E levas em ti guardado
O choro de uma balada
Recordações do passado
O bater da velha cabra
[Balada de despedida do 5º ano jurídico de Coimbra 88-89]
2 comments:
acho que falta esta garra genuína nos dias de hoje quando se fala em 'contestação estudantil', o ensino superior é amorfo 40 anos depois. Pior ainda: sem rumo para os estudantes. Se antes havia o perigo =real= da guerra ultramarina, hoje, o cenário também mata: desemprego, fome, revolta contida, depressão e morte.
Eu estava em Direito, em Abril de 1969. Eu vivi isto, só não sei se viverei muito mais para voltar a ver algo que revolucionasse de novo o ensino. Fumus boni juris.
C.H.F.
Já sei que vou levar uma carga de porrada da geração do meu pai mas que se lixe cá vai...
É vulgar dizer que a minha geração ( tenho 38) e as que se seguiram são gerações adormecidas e sem garra. Mais, quando alguém destas gerações contesta esta análise, é vulgar ter como resposta que foi bem mais difícil à geração estudantil de há 40 anos porque vivia em clima de repressão. Discordo plenamente. A repressão hoje em dia é bem mais violenta. A geração do meu pai, embora com a liberdade condicionada não era obrigada a viver ao ritmo alucinante de hoje. Tinha tempo para pensar, reunir, reflectir e até combinar os termos da insubordinação. A minha geração não tem esse tempo. Ou entra na correria e sobrevive ou morre.
E quem nos colocou nesta situação foi a geração do meu pai. Por isso o mínimo que podem fazer pela minha geração e as seguintes é não nos apelidarem de amorfos. Estamos só a tentar sobreviver.
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