
[...] Na opinião de todos os estrangeiros (...) frequentes vezes se era abordado na rua por pessoas bem vestidas, cavaleiros e frades, tanto brancos como pretos, pedido esmola.
Na opinião de Beckford é 'graças a esta mal compreendida caridade que centenas de corpulentos indíviduos tratam de aprender a servir-se de muletas, em vez de aprender a servirem-se de um mosquete, instruíndo-se na arte de manufacturar feridas , úlceras e cabeças sarnentas. Porque todos os malandros da província podem entrar na cidade sem obstáculo, homens e mulheres de todas as idades exercem essa profissão desde o momento em que contraem o hábito. As ruas são um verdadeiro formigueiro desses repugnantes mendigos de ambos os sexos. É-se assaltado por eles nas praças, nas ruas, nas próprias casas.' (...)
[...]Ruders tem uma visão muito própria de Pina Manique o qual, tudo parece indicar, considera que o seu cargo consiste primordialmente em prender gente, com ou sem culpa formada. Assim, 'a sua consciência fica tranquila, porque, entre tantos, um ou outro ladrão sempre foi punido. (...) Os criminosos são agora justiçados nos sítios onde cometeram os crimes, a forca funciona com rapidez e a crueldade está presente quando os cadáveres são cortados aos pedaços, para servir de exemplo; as cabeças são cortadas e espetadas em postes erguidos nos lugares onde os maiores crimes foram praticados (...) Os deliquentes costumam ser conduzidos ao lugar do suplício com grande solenidade. Soldados abrem e fecham o préstito, no qual tomar parte muitos padres, cavaleiros das Ordens e outras pessoas, com tochas e crucifixo. Figura nele, também, um juíz a cavalo, de cabeça nua e cabelos soltos, vestido com uma beca negra e empunhando também uma tocha, de entre as maiores. Os carrascos, que são sempre muitos, pelo menos mais do que um, seguem o criminoso, preso com algemas.
Como ele, os primeiros também outrora mataram gente, mas foram perdoados com a condição de se prestarem, sempre que for preciso, a enforcar ou a decapitar os seus iguais. Conservam-se sempre presos. Para eles uma execução é uma espécie de festa, saem à rua, recebem 960 réis em espécies e uma galinha cada um para o jantar. Sempre que a procissão passa diante de uma igreja ou de uma capela, o deliquente faz a sua oração.'[...]
in 'Lisboa setecencista vista por estrangeiros' ISBN 972-24-0991-3
Na opinião de Beckford é 'graças a esta mal compreendida caridade que centenas de corpulentos indíviduos tratam de aprender a servir-se de muletas, em vez de aprender a servirem-se de um mosquete, instruíndo-se na arte de manufacturar feridas , úlceras e cabeças sarnentas. Porque todos os malandros da província podem entrar na cidade sem obstáculo, homens e mulheres de todas as idades exercem essa profissão desde o momento em que contraem o hábito. As ruas são um verdadeiro formigueiro desses repugnantes mendigos de ambos os sexos. É-se assaltado por eles nas praças, nas ruas, nas próprias casas.' (...)
[...]Ruders tem uma visão muito própria de Pina Manique o qual, tudo parece indicar, considera que o seu cargo consiste primordialmente em prender gente, com ou sem culpa formada. Assim, 'a sua consciência fica tranquila, porque, entre tantos, um ou outro ladrão sempre foi punido. (...) Os criminosos são agora justiçados nos sítios onde cometeram os crimes, a forca funciona com rapidez e a crueldade está presente quando os cadáveres são cortados aos pedaços, para servir de exemplo; as cabeças são cortadas e espetadas em postes erguidos nos lugares onde os maiores crimes foram praticados (...) Os deliquentes costumam ser conduzidos ao lugar do suplício com grande solenidade. Soldados abrem e fecham o préstito, no qual tomar parte muitos padres, cavaleiros das Ordens e outras pessoas, com tochas e crucifixo. Figura nele, também, um juíz a cavalo, de cabeça nua e cabelos soltos, vestido com uma beca negra e empunhando também uma tocha, de entre as maiores. Os carrascos, que são sempre muitos, pelo menos mais do que um, seguem o criminoso, preso com algemas.
Como ele, os primeiros também outrora mataram gente, mas foram perdoados com a condição de se prestarem, sempre que for preciso, a enforcar ou a decapitar os seus iguais. Conservam-se sempre presos. Para eles uma execução é uma espécie de festa, saem à rua, recebem 960 réis em espécies e uma galinha cada um para o jantar. Sempre que a procissão passa diante de uma igreja ou de uma capela, o deliquente faz a sua oração.'[...]
in 'Lisboa setecencista vista por estrangeiros' ISBN 972-24-0991-3
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