26 maio 2007

War zone




















[...]A urbanização da Quinta de Santa Catarina efectua-se na época áurea dos Descobrimentos, num contexto de um amplo programa de renovação urbana patrocinado pelo rei D.Manuel I, dentro e fora dos muros da cidade. A quinta situava-se junto às Portas de Santa Catarina(actual Largo das Duas Igrejas), de onde saía, perpendicularmente à cerca fernandina, o principal caminho da cidade para o termo ocidental, a estrada de Santo ou da Horta Navia (actual eixo formado pela Rua do Loreto, Calhariz e Calçada do Combro), que separava duas herdades de grandes dimenções, ambas propriadade do físico e astrónomo da corte Ghedália Palaçano.[...] É pela herdade sul, conhecida por Quinta da Boavista, que loteamento se inicia, ainda nos finais do séc.XV. A partir de 1513 prossegue para a Quinta de Santa Catarina que se prolongava a norte da Estrada de Santo até ao sítio dos Moinhos de Vento. A família dos Andrades teve um papel central no processo de urbanização destas duas quintas, tanto que inicialmente o novo bairro era conhecido por Vila Nova de Andrade. Com a instalação dos padres da Companhia de Jesus, a partir de 1553, na Igreja de S.Roque, os quarteirões a norte da Estrada de Santos passaram a ser conhecidos por Bairro Alto de S.Roque. Dinamizadores de nova fase de urbanização, os jesuítas atraem para o bairro uma população fidalga.[...] As histórias que o Bairro Alto encerra são múltiplas. De entre muitas facetas passíveis de destaque, salienta-se uma, quinhentos anos após o seu nascimento:o carácter inovador do seu urbanismo renascentista. A urbanização foi efectuada de acordo com um plano orientador, em lotes de medidas proporcionais e todos os edifícios, conventos e palácios incluídos, eram obrigados a alinhar as suas fachadas pela via pública, para onde as janelas de sacada podiam apenas sobressair dois palmos. Tanto a composição arquitectónica como a malha urbana ortogonal, de largas ruas principais perpendiculares ao rio e cortadas por travessas, obedeciam a normas emanadas pelo poder central segundo princípios de racionalidade, arejamento e exposição solar.[...] fonte: CML

Pois bem, à parte das linhas orientadoras que estiveram na génese da edificação, de resto, muito próximas, àquilo que hoje constatamos no actual Bairro Alto lisboeta, a desagradável surpresa vem com contornos de 'actualidade importada'. É um cenário nojento o que se encontra num dos mais famosos -por diversas razões que não esta- bairros da capital. É absolutamente irracional as séries infindáveis de pseudo graffitis, tags e outras 'assinaturas' estranhas que percorrem paredes, janelas, portas e tudo o mais que estiver ao alcance da lata de spray, por ruas inteiras. Nem edifícios em recuperação escapam.
Há anos que não percorria a pé (e não sou um entusiasta por aí além) as várias ruas do dito bairro; fi-lo hoje de manhã depois de umas bicas na Brasileira do Chiado e pastéis de nata gelados (ahh, fama!) e, apesar de ter conhecimento que não iria encontrar paredes alvas e ruas imaculadas, não me passava pela cabeça o cenário degradante que iria deparar naquele labirinto de ruas.

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